Todo mito tem sempre um lado B, toda mulher é meio Leila Diniz, toda nudez não será castigada, toda medusa moderna sabe o que faz com o seu cabelo, toda cabeça pode ter muitas ideias, muitas cabeças pensam mais que uma.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
O telefone e eu
O meu telefone celular é mesozóico. Logo logo estarei colocando ele no e-Bay pra colecionador de antiguidades. Ele não faz nada - quero dizer, não tira foto, não filma, não conecta internet, não dança, não representa, nem sapateia - mas todo mundo me acha nele. Sem falar que ele já caiu no chão 100 vezes e o bichinho resiste. Já dizia a minha avó: vaso ruim não quebra. Ele também tem habilidades sobrenaturais. Ele é médium. Só recebe. E eu tenho sobrevivido. Não é que eu não goste de tecnologia. Eu gosto dessa proximidade que a internet nos traz, da velocidade de informações, etc, mas ninguém até hoje conseguiu me convencer a comprar um celular caríssimo com mil e uma utilidades. E quando alguém vem todo pomposo me mostrar o celular novo eu me esforço pra fazer cara de AHHHHH OOOOOH. Eu tento imaginar que aquela coisa sem graça, cinza, é um anel de pérola negra ou um colar de esmeraldas, sei lá.
Sei que ontem a Claro me mandou uma mensagem dizendo que se eu não pusesse crédito eles cancelariam meu número. Comprei 8 reais na Banca do Rossi e tenho que ligar pra "alguéns" até dia 7 de julho. Mas, meu Deus, pra quem vou ligar? No trabalho uso telefone da empresa. Em casa uso o fixo ou falo pela internet. Em casa quero sossego e ver meus filmes (me liguem em caso de emergência só, tá?). Pra quem vou ligar, santo pai? Estou pensando seriamente neste assunto... Por isso não estranhe se eu ligar pra você com uma conversa assim: "tá calor hoje, hein?". Ou então: "e aí, tudo bem?". Eu não sou tão altruísta assim. Só odeio desperdício. Quero aproveitar os benditos 8 reais que eu gastei sem querer.
Aí eu olho pra Norma Jean glamourosa fazendo a maior pose com esse telefonão de fio de rabo de porco, como se atender um telefone fosse um a-con-te-ci-men-to (e era) e eu sinto um banzo... mas um banzo... Saudade do que nunca vivi, né, porque enquanto ela atendia esse telefone minha existência pululava em algum lugar do cosmos esperando a hora certa de encher a pança da dona Tereza.
Eu só queria que o telefone às vezes voltasse a ser um acontecimento, aquele trimmmmm hitchcockiano, aquele reeeeeec reeeeeeeec daquele círculo de plástico rodando enquanto a gente discava os números naquele telefone arredondado. O chic era ter o quadradinho. Não, pensando melhor, o chic era ter aqueles de novela que a Odette Hoitmann abria aquela partezinha dobrada pra poder falar. Ufff o ápice da modernidade. A cara da riqueza. E hoje a gente ri disso. Pois bem. Vão rir de vocês também, viciados em celular, tablet ou sei lá que coisa mais.
Mas pra finalizar eu só queria... eu só queria mesmo que a gente pudesse voltar a ter uma conversa decente olho no olho sem ser interrompido pelo Luan Santana se esgoelando no celular. Eu só queria me reunir com meus amigos em volta duma mesa de bar, contar histórias, filosofar, rir, em vez de falar com as paredes enquanto todo mundo com seus respectivos aparelhos checa e responde mensagens.
Eu só queria mas... peraí, meu telefone tá tocando. Volto já.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Uma questão de educação
Nos meses de abril e maio comemoramos algumas datas muito importantes, que são o Dia do Índio, o Dia do Trabalho e o Dia das Mães. Tentarei entrelaçar todas elas sob uma única ótica: a da educação. Seria possível? O que um índio, o trabalho e uma mãe teriam em comum para que propuséssemos uma reflexão sobre o problema da falta de educação no Brasil?
Muito. Explicarei. E quando me refiro à educação não me refiro à acadêmica, ao diploma na parede, às instituições de ensino, aos títulos de mestrado e doutorado acumulados. Estes são importantes, sim, mas o que está em pauta aqui é a educação num sentido muito mais amplo e básico. Eu me refiro àquela educação que faz de nós seres humanos dignos de sermos chamados civilizados, seres humanos que cooperam para uma sociedade construtiva. Àquela educação que permite um velhinho analfabeto nunca esquecer de dizer ‘bom dia’, ‘boa tarde’, ‘boa noite’, ‘muito obrigado, ‘Deus te abençoe’. Àquela educação que falta a muitos jovens de hoje, que não respeitam as leis de trânsito, que não sabem nem mais cumprimentar, que não cedem o lugar aos idosos, que não respeitam faixa de pedestres, que andam em alta velocidade e só faltam atropelar alguém; que escutam som alto, sem se importar com as pessoas que estão próximas; que reagem com agressividade, que não conseguem falar sem dizer um palavrão; que não se esforçam no seu primeiro emprego para progredir, que não querem saber de aprender, que não têm um plano de vida, que não acreditam em nada, que não seguem a um código ético definido, que relativizam tudo, que não se sujeitam a nada difícil, nem como começo de carreira; que querem enriquecer pelo caminho mais fácil, não necessariamente o mais honesto; que premiam a esperteza e a preguiça dos que enriquecem passando a perna nos outros ou em ridículos reality shows, desprezando a sabedoria e o trabalho que lhes renderão frutos muito mais duradouros; que interrompem uma conversa séria para atender o celular e deixar a pessoa à frente com cara de tacho; de meninas que estão perdendo a sua feminilidade e de meninos perdidos que já não sabem como reagir para agradá-las, pois não sabem se querem ser tratadas como iguais, abrindo mão de alguns privilégios, ou se querem continuar com os privilégios do ‘ser mulher’. Afinal, o que está acontecendo com a nossa juventude?
A pergunta parece um tanto clichê. É certo que em todos os momentos históricos da humanidade a juventude foi sempre incompreendida e rechaçada, enquanto os mais velhos torciam o nariz para suas novas ideias. Mas eis aí a questão. E não é que eles tinham ideias? E os jovens de hoje? Será que têm algo a dizer? Ou só sabem reproduzir culturas de massa ocas, de lek lek pra baixo?
Onde não há educação, prevalece a arrogância. Falemos então em trabalho. Temos visto no Brasil uma elite ou uma quase elite que pensa ser educada, mas que destrata os outros. Profissionais que pensam que podem desmerecer outras pessoas, simplesmente porque são mais humildes ou não têm um curso superior. Um porteiro na Holanda não se considera inferior a um gerente. Um prestador de serviços braçais é tão valorizado quanto um professor doutor. Fora do ambiente de trabalho, nada impede de irem ao mesmo bar, tomarem suas cervejinhas juntos. Ninguém olha o outro por cima. Cada trabalho tem o seu valor. Profissões mais especializadas pagam mais, mas não significa que um salário maior torna a pessoa melhor. Enfim, ser educado é uma questão de princípios e não de interesse ou vaidade.
E o que os índios têm a ver com isso? Bem, sempre foram chamados de selvagens, não é verdade? Mas será que os selvagens destruidores da natureza e sem educação não somos nós? Nós nos achamos tão civilizados, mas será que as pessoas sabem que numa aldeia indígena quando tem um falando não se ouve um pio? A tribo toda, inclusive as crianças, ficam em silêncio, ouvindo o que o outro tem a dizer. Incrível como na nossa sociedade dita civilizada está cada vez mais difícil ter um diálogo normal, onde um fala, pára e escuta, o outro argumenta, expõe seus pontos de vista até o fim e é respeitado, e só aí então o outro responde, sem se alterar ou elevar o tom da voz.
E é aí que entra a educação familiar que depende tanto da figura da mãe. As famílias estão muito omissas, delegando a responsabilidade a professores, ao Estado. A educação de verdade dá lugar ao consumismo desenfreado, onde soterrar os filhos de presentes preenche o vazio deixado pela culpa da ausência e do tempo que não foi gasto com eles, para lhes ensinar, para lhes responder perguntas, para lhes transmitir conhecimento e amor.
Não podemos ficar calados diante disso. Temos que fazer alguma coisa. E outro dia eu fiz. Estava no ônibus, cansada, voltando do trabalho, quando um jovem ouvia um funk horrível em alto volume. Aparentemente outras pessoas que estavam no ônibus estavam incomodadas, mas ninguém falava nada. Foi então que eu, calmamente e em baixa voz, lhe pedi: “O senhor poderia diminuir o volume da sua música, por favor?”. Corri o risco de levar um xingo, eu sei. Mas tem horas que temos que correr riscos se queremos mudar o mundo. E provavelmente não mudaremos o mundo, mas, se cada um conseguir mudar a sua rua ou que seja a sua própria casa, já estará bom demais. O caso é que o rapaz da música alta ficou visivelmente constrangido com o meu pedido e imediatamente, para minha surpresa, desligou o aparelho. Quando chegou o meu ponto, o rapaz ia descendo no mesmo ponto. Cheguei a ficar com medo e pensei: “esse cara vai me falar algum despautério quando eu sair daqui”. Mas eis que ele se aproxima e diz num tom amigável: “Desculpa, viu, moça”. E eu mais uma vez surpresa respondi: “Está tudo bem”. Quem sabe nem tudo está perdido.
quinta-feira, 21 de março de 2013
O beijo da morte
As últimas palavras
de Hugo Chávez antes de morrer: "Eu não quero morrer, não me deixe
morrer".
Quais seriam as
nossas últimas palavras no momento final, se tivéssemos consciência para
proferi-las?
É certo que o apego à
vida e o medo da morte são considerados naturais. Mas nós cristãos não devemos
temer a morte. Devemos amar a vida e vivê-la bem, pois só quem a vive bem e
honestamente pode morrer bem. Sim, é possível morrer bem. Podemos temer a dor e
o sofrimento. Podemos não querer nos separar dos que amamos e temer pelo que
será deles se nos formos desta vida, mas todo cristão pode e deve rir da cara
da morte e quando ela vier nos beijar, como nesta escultura num cemitério de
Barcelona, poder dizer: "Oh, morte, onde está a sua vitória?".
Cristo venceu a morte
por nós na cruz, morrendo e ressuscitando ao terceiro dia e aparecendo aos
discípulos em corpo glorificado na forma como o conheceram para nos mostrar a
sua vitória sobre a morte e a vitória que ele conquistou também para nós, seus
filhos. A essência do Cristianismo não é a cruz, não é a morte de Cristo. A
base forte do Cristianismo é a ressurreição da alma e do corpo. Sem a crença
nisso a nossa fé é vã, como pregou Paulo aos filósofos gregos, os quais também
acreditavam na vida após a morte e na alma, mas o que intrigou os gregos, a
"novidade" que Paulo vinha contando, de fato, era não somente a
ressurreição da alma, mas também a do corpo, em tempo oportuno, que só cabe a
Deus saber.
Sim, você verá seu
pai, sua mãe, seus amados e entes queridos que já se foram desta vida para o
céu. E os reconhecerá com seus corpos. Glorificados, sim. Eternos, sim. Mas
corpos. Corpos que, no final, venceram a morte, como pregou há cerca de 100
anos o pregador norte-americano Spurgeon, cujo estudo indico que pesquisem e
leiam na internet.
É preciso portanto
estar preparado para tudo. Preparado tanto para a pobreza quanto para a
riqueza. Preparado para a união e para a solidão. Preparado para a vida e para
a morte. E essa preparação é interior, o nosso coração tomado pelo Espírito
Santo que nos garante a vida eterna, na importância ao que a traça não consome
e o ladrão não rouba.
Diz a Bíblia que um
homem rico era tão rico que já não havia espaço para guardar tudo que tinha, de
modo que construiu celeiros enormes para poder acumular tamanha abastança. E
após fazer tudo isso, pensou: “ah, agora posso descansar, estou feliz”. Mas eis
que Deus naquele mesmo dia lhe disse: "Louco, esta noite te pedirão a tua
alma. E o que tens preparado para quem será?".
O que você tem
construído nesta vida? Tesouros na terra ou tesouros no céu? Suas atitudes são
condizentes com as de um cristão verdadeiro? São atitudes de misericórdia e de
amor para com o próximo? Seu poder e sua riqueza para quem será? Haverá algo
além disso quando a morte chegar? Ou só sobrará o desespero traduzido na
súplica de alguém que clama: "eu não quero morrer, não me deixe morrer, eu
não posso morrer, eu não estou preparado para isso, porque até então eu só
pensei nesta vida, eu não sei o que me aguarda daqui pra frente".
O amor tem olhos de águia
O maior mito
é o de que o amor é cego. O amor nunca é cego. A paixão é cega, porque a paixão
é uma projeção de nossas próprias expectativas numa pessoa que aparentemente
amamos, mas que apenas nos atrai e que na realidade não existe da forma como
gostaríamos que ela fosse e muito provavelmente nunca será. O amor enxerga
muito bem, ouve muito bem, sente muito bem. O amor é consciente, nunca um
ébrio, porque para existir precisa ser real, e para ser real precisa ser
correspondido, e para ser correspondido precisa de ações, porque só o que
fazemos diz o que realmente somos e só se pode amar aquilo que conhecemos,
reconhecemos, aquilo que é de verdade, aquilo que é bom em essência e
sinceridade. Somos o que fazemos e não o que parecemos. Qualquer coisa que fuja
disso é doença, obsessão, tara. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo
suporta, não arde em ciúmes. O amor não é mesquinho, não se ensoberbece, não se
alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Sofre porque um dia o
outro morre. Crê porque um dia a gente se encontra de novo. Espera pela fé na
outra vida. Suporta porque é realmente capaz de amar na saúde e na doença. Não
tem ciúmes, porque o amor torna dois um só e seria ilógico ter ciúmes de si
mesmo.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Mulheres: seus direitos e deveres
Chegando ao
mês da mulher, é tempo de debater os direitos e deveres das mulheres. Deveres,
sim, pois um ser humano que pleiteia para si direitos iguais deve estar
preparado para o cumprimento de deveres. E digo isso porque vejo que muitas
mulheres só querem o “venha a nós” e não o “vosso reino”, após me defrontar com
tantas manifestações públicas feministas que envolvem principalmente a relação
da mulher mãe com seu filho, bebê ou feto, que seja.
Seria o bebê
uma mera extensão do corpo da mãe? Assim afirmam as abortistas de plantão, que
enchem a boca para dizer que são donas de seus próprios corpos e não podem ser
tolhidas do direito de extirpar dele o que bem quiserem, seja um nódulo, uma
unha encravada ou um inconveniente feto.
João Pereira
Coutinho, em seu artigo para a Folha, do dia 4 de fevereiro, aborda outra
questão: a mania das mães de aluguel. Cada vez aumenta mais o número de
mulheres pobres que alugam sua barriga. Um filho pode ser comprado por cerca de
US$ 20 mil, na Índia, “como se compra uma mala Luis Vuitton”, compara Coutinho.
Como diz o
mesmo Coutinho, parafraseando Kant: “Os seres humanos devem ser tratados como
um fim em si, não como um meio para”. Não como um meio para prender o parceiro,
não como um meio para realização pessoal, não como um meio para resolver o meu
problema (no caso do aborto). Um ser humano em gestação é uma vida à parte e
como tal deve ser preservado. Não estão sendo considerados os efeitos psicológicos
futuros desse mercantilismo em torno da existência de um novo ser.
Temos falado
muito em direitos. Tudo é relativo e cada um tem uma opinião que deve ser
respeitada acima de todas as coisas. Será mesmo? Será que desejar é
automaticamente passar a ter o direito? Inclusive o direito de se aproveitar de
uma situação oportuna? Neste caso: o parco poder econômico de uma mulher
carente e que, embora voluntariamente doadora, o faz por dinheiro, o que leva a
pensar que se sua situação fosse a ideal não recorreria a meios tortuosos.
O argumento
para avalizar o novo mecanismo de “adoção” é de que a doação do ventre e do
óvulo é voluntária, mas até que ponto vai a liberdade de escolha de uma mãe
desesperada em condição de miséria e educada em total ignorância? Impera apenas
o direito da mãe rica, de comprar o bebê. Quais são exatamente os reais
direitos da mãe que vende sua barriga e seu óvulo?
Voltando ao
aborto, um dos argumentos mais toscos para justificá-lo é o matemático. Simples
assim: com o aborto legal ter-se-ia a quantia de X mortos (os fetos), enquanto com
o aborto ilegal temos a quantia de XX mortos (os fetos, que morrem de qualquer
jeito, na ilegalidade, e as mães, que morrem por decorrência de um aborto mal
feito). Então, com base nesse argumento, melhor seria legalizar o abordo e
diminuirmos as mortes. Certo? Não parece lógico? Será que a estatística é a
única fonte aplicável nesse caso?
A pura
matemática vale para problemas de ordem econômica e financeira, mas não deve
jamais ser o princípio cabal para questões éticas, que envolvem situações tão
complexas, como a vida de seres humanos e tudo que o envolve, que vai muito
além do cálculo simplista. Estamos no perigo de nos aproximarmos ainda mais de
uma sociedade fascista, que não vê mal algum em simplesmente eliminar alguém porque
é mais fácil eliminar do que ter de lidar com ele.
Criticamos
os maias e outros povos tribais porque costumavam fazer sacrifícios para
acalmar os deuses. No raciocínio deles, a solução para o problema da falta de
chuvas ou das chuvas excessivas ou de qualquer intempérie que estivesse
ameaçando a sobrevida da tribo, era perfeitamente normal. Matematicamente então
nem se fala! Em vez de se perderem milhares de vidas, perde-se apenas uma. Os
deuses se acalmam com o sangue derramado e fica tudo bem. Todos sabemos que
tudo isso não passava de uma crendice tola, mas mesmo se fosse verdade, ainda que
fôssemos regidos por deuses lunáticos, o sacrifício forçado de uma vida para
salvar as demais seria louvável? Aceitável? Ético? Poderíamos defini-lo assim?
Pensem nisso.
Existem
muitas maneiras para se evitar uma criança, mas, ainda que todas elas tenham
falhado, a simples rejeição da mãe não pode ser argumento suficiente para um
assassinato. Pois se o óvulo fecundado, como tentam provar, ainda não é humano,
então o que ele se tornará no futuro além de humano? Um dinossauro? Um
ornitorrinco?
Essa não é a
maneira certa de coibir o nascimento de crianças indesejáveis. Devemos procurar
por outros caminhos. O caminho da reestruturação das famílias, o da valorização
da mulher, como mulher que é. Que ela não busque ser igual ao homem só no pior.
A mulher deve ser livre para ter uma carreira e ser reconhecida à altura de sua
competência, tanto quanto o homem, mas às vezes penso que muitas mulheres foram
além e quiseram imitar o homem em seu pior. O homem fuma? Vamos fumar três
vezes mais. O homem bebe até cair? Vamos virar bebuns também, falar alto, agir
como um moleque de rua, que é o que vejo em frente a muitas escolas. A
feminilidade, que é tão preciosa, jogada às favas.
Ser
respeitada como mulher é ter direitos iguais, não é ser igual. Ninguém é igual
a ninguém. E graças a Deus. Marilyn Monroe dizia: “A mulher que quer ser igual
ao homem tem falta de ambição”.
E para as
que querem ser iguais, fica o recado: que estejam então também dispostas a
pagar o preço. Que não reclamem depois se o pai do filho se negar a assumir a
criança. Se a mulher tem direito de rejeitá-la, por que o homem não teria?
Afinal, não somos todos iguais?
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Preconceito e prejuízo de um lado; gentileza e lucro de outro
O caso do garoto negro filho de pais
brancos discriminado em uma loja da BMW deve levar comerciantes a refletirem se
o atendimento em suas lojas tem sido pautado pelo preconceito. Se sim,
preparem-se para o prejuízo. Se estão atendendo bem e com gentileza (tema do
próximo Encontro da Mulher Empresária de Catanduva), preparem-se para os
lucros.
A
rádio CBN fez uma pesquisa colocando dois repórteres, um negro e um branco,
para serem atendidos em lojas do comércio do Brasil. Os dois de idades
próximas, vestindo roupas semelhantes. O tratamento dado ao negro foi pior em
grande parte dos estabelecimentos comerciais cariocas. Em uma loja de roupas
masculinas, ao negro foi oferecido um terno mais barato.
Preconceito
é sinônimo de prejuízo em inglês (prejudice). Como bem disse o economista
Marcelo Miterhof, articulista da Folha, “evitar comer um queijo mofado pode ser
sensato, mas corre-se o risco de desprezar uma iguaria”.
Atendimento
bom é atendimento bom para todos, mas no Brasil ser negro é sinônimo de ser
pobre. Muitos negros são mal atendidos porque o vendedor pensa que ele não terá
condições de comprar algo de grande valor. Outros ainda são julgados pela
roupa. Quando trabalhei numa concessionária de carros circulava uma história de
que um senhorzinho de aparência caipira, trajando roupas gastas e chinelos,
apareceu na loja interessado nos carros mais caros e quase não lhe deram
atenção. No dia seguinte ele voltou e comprou o carro mais caro. E à vista! Era
um rico fazendeiro das redondezas. Como se vê, pré-julgar nunca é bom. Mas ainda
que esse senhorzinho fosse mesmo tão simples e pobre quanto suas roupas
denunciavam, não mereceria ele um bom atendimento? Afinal, quem faz bem feito
faz bem feito como padrão de vida, não importando a quem. Não seria este o
sentido de bondade e gentileza que tanto buscamos atingir e que nos faz humanos?
Mesmo uma criança pedindo esmolas também mereceria um olhar mais atento, em vez
de ser simplesmente posta pra fora.
A pobreza do país é um incômodo
com o qual ninguém gosta de lidar, mas o egoísmo e a ignorância dos que podem
fazer alguma coisa podem sair caro demais. Para todos.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Megan, o Carnaval e o álcool no Brasil
Todo mundo reclamando da crise, certo? Aqui, na Espanha e na Ilha de Java. Mas dinheirinho pra sua santa cervejinha de todo final de semana todo mundo tem. Pois bem, pois pasmem: enquanto a maioria chegou no final de 2012 com o dinheiro contado, as cervejarias do Brasil nunca lucraram tanto. Para eles, é como se a palavra ‘crise’ só existisse na vida dos paspalhos que no seu doce álcool vêm afogar suas mágoas. Somente na primeira década do século 21, para se ter uma ideia, apesar de crise econômica mundial, que já era gritante, nunca no Brasil se vendeu – e se BEBEU, naturalmente – tanta cerveja. A produção de cerveja no Brasil dobrou. Isso mesmo: DOBROU! Você aí que trabalha em qualquer ramo de vendas... está experimentando sucesso semelhante? Isso deixou todas as fabricantes de cerveja do mundo interessadíssimas em investir no Brasil. Bom, certo? Sim... venham para o país dos bebuns. Talvez em pouco tempo estaremos fazendo côro com os russos caindo de bêbados no asfalto gélido e fazendo papel de ridículos. Só que aqui se caírem no asfalto vão fritar.
Mas que chato este artigo, não? Que mal faz uma boa cervejinha? Bem... pergunte às numerosas famílias brasileiras destroçadas pelo álcool. Ah... mas é só uma cervejinha... Bem, certamente que ninguém começou a dormir na sarjeta da noite pro dia.
E os brasileiros, pelo que indicam as pesquisas, estão bebendo muito, estimulados pela maciça propaganda do álcool no Brasil, financiada pelas milionárias fabricantes. Estranho no Brasil só o álcool não ser droga ilícita. Será que tem a ver com esses milhões todos? Será? Será? Oh, meu Deus, acho que até o bebum da esquina saberia responder. Em muitos países, a propaganda de bebida é proibida, não se pode beber em locais públicos, pela propaganda negativa às crianças, e a venda de bebida é regulada, restrita a determinados locais e controlada por quem a vende no balcão! O motivo: pela lei, caso um acidente aconteça porque o motorista estava alcoolizado, o estabelecimento que o vendeu também responderá por isso.
O Brasil passou a ser o 3º maior produtor mundial de cerveja, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. E as pessoas aqui começam a beber cada vez mais cedo. Podem não ter dinheiro às vezes pra um jantar decente, mas pra sagrada cerveja sempre têm.
As indústrias de cerveja geram emprego e movimentam a economia? É evidente que sim, mas a que custo? Uma pesquisa no Brasil revelou que o álcool está presente em 75% das mortes no trânsito. Fora isso, mais de 30.000 crianças nascem com déficit ou distúrbio mental decorrentes da SAF (Síndrome Alcoólica Fetal, uso de álcool na gravidez). Milhares de leitos hospitalares clínicos e psiquiátricos, além dos do CTI e das Emergências, estão ocupados por pacientes com doenças decorrentes do álcool ou por vítimas de agressões e ferimentos causados por pessoas alcoolizadas. Famílias desestruturadas pelo álcool jogam crianças na rua diariamente. Crianças sem educação e sem amor que no futuro poderão roubar e até matar. Estima-se que os gastos gerais com os problemas relacionados com o uso, abuso e dependência do álcool podem chegar a mais de quatro vezes o orçamento do Ministério da Saúde, algo em torno de 7% do nosso PIB.
Mas que pataquada é esta que eu estou falando, não é mesmo? Quem está escrevendo isto é uma pobre jornalista que nem bebe cerveja, mesmo depois de ouvir tantas vezes na faculdade: “começa bebendo mesmo sem gostar que com o tempo você gosta”. Mesmo depois de ouvir incontáveis vezes que eu não sei me divertir.
Bem, gostaria de dizer que eu sei me divertir muito bem, sim, e lúcida, o que é muito melhor. Em segundo lugar, responda-me que outro produto você conseguiria vender com este argumento: “senhor cliente, comece a usar mesmo não gostando, que com o tempo o senhor gostará”. Não sei por que isso me lembra a palavra “vício”. Senão por que a minha primeira e consciente resposta não seria boa o suficiente?
Mas tudo bem, não está mais aqui quem falou. Vou parar por aqui. Ah? O que a Megan aí da foto tem a ver com tudo isso? Bem, é que este ano ela será a garota propaganda do Camarote da Brahma no Carnaval 2013. Receberá a bagatela de quase R$ 5 milhões por isso. Ano passado, encheram os bolsos da Jennifer Lopez e este ano quem encherá os bolsos será a bela Megan. JLo nem fez questão de fingir que estava se divertindo. O que se pode esperar da chatinha Megan? Nada. Só esperam que venha e pose, que é o que sabe fazer de melhor. Bom pra ela, né? Cujos bolsos já estão cheios faz tempo. E bom pras cervejarias também, que pelo jeito estão com os bolsos tão cheios que podem pagar cachê pra artistas desse calibre. E pra você? É bom? Antes de responder, pare e se pergunte se é possível alguém com uma conversa mole de bêbado se dar bem com alguma daquelas mulheres que eles mostram nas propagandas. Olhe bem pra foto da Megan, fazendo biquinho e mandando beijo: “Bye, babe, bye, bebum comigo não tem chance”.
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